Era década de 70. A Praia do Leme daquele jeito incrível de se imaginar. Na água, Marcus Kung pegava ondas com sua prancha de bodyboard. Era um dos poucos que fazia isso. Começando pelo Leme, Kung acabou pegando estrada e percorrendo praias brasileiras do litoral todo mobilizando novas pessoas a se tornarem bodyboarders. Foi o primeiro a montar uma associação de bodyboard legalmente registrada. Naturalmente, acabou tendo participado da regulamentação e idealização das primeiras regras de competições nacionais. Por aqui, é conhecido por ser o pai do esporte. Lá fora, já recebeu o prêmio “Personalidade Mundial do Esporte”, em 1988, entregue pela organização do Mundial em Pipeline, no Havaí, por conta de toda a sua contribuição ao esporte e sua disseminação no Brasil.

MARCUS KUNG PEGA ONDA HOJE

Toda essa história de sucesso foi construída na base de muito amor. Amor pelo esporte, pelas ondas, pelas praias. Amor por tudo aquilo que proporciona momentos de tanto prazer e, sem eles, não existiria. Kung tem total consciência da necessidade de preservar a natureza e o oceano. “Nossa cidade tem lugares perfeitos para atividades ao ar livre e o cuidado com a natureza interessa aos praticantes de todos os esportes”, ele diz, “Eu faço a minha parte garantindo que nenhum bodyboarder polua o mar”.

Marcus Kung na sala de shape. Foto: Mariana Barquinha

Sim. É que Kung, desde 2005, vem produzindo pranchas sustentáveis. Nesse ano, ele parou a produção de sua linha de pranchas para estudar os conceitos de sustentabilidade e as alternativas de materiais disponíveis no mercado. Depois de muita pesquisa e troca com pessoas da área, ele lançou o seu modelo 100% sustentável, “Elas têm selo verde e passam por um processo de fabricação a partir do petróleo, que se descartado no meio ambiente não polui e é reciclável”, ele conta. No lugar da cola, uma tecnologia a base de sopro térmico é utilizada e possui a mesma potência. Além disso, para a fabricação de uma prancha, o polietileno (material usado) se expande através da injeção de um gás que costumava ser o CFC, que é extremamente poluente. Com a reformulação do processo de fabricação, Kung passou a usar gás hélio, que não agride a camada de ozônio. Ah! A qualidade da prancha é tão boa que foi usada por campeões como Bernardo Puertas, Neymara Carvalho e Beto Abrantes.

PREMIO PERSONALIDADE MUNDIAL DO ESPORTE - HAVAÍ - 1988

E como aquilo que é bom deve ser passado adiante e replicado, Kung dá aulas para quem quiser virar shaper. O curso pode durar de 6 meses até um ano e passa por cinco fases de produção. Além disso, a Escola Kung de Bodyboard é referência na área. Localizada na Praia da Barra, entre os postos 4 e 5, ele vem dando aulas para todas as idades há 13 anos. Um carioca que é lenda viva do bodyboard e merece ser conhecido!

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