Era 1989. A praia era Ravenna, na Itália. Pouco a pouco, começavam a pipocar na areia algumas redes de vôlei adaptdas. O jogo era novo, vinha um pouco do tênis, um pouco do squash, só que na areia. Gian Luca Padovan se envolveu nesse movimento logo de cara: era aquela a praia que ele mais frequentava e praticar o que era chamado de “Raquetone” era o puro prazer. Coisa boa se espalha rápido e não demorou para várias praias na Europa começarem a virar campo de um esporte novo e cheio de potencial.

 

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Gian Luca, que dava aulas de squash e era considerado um dos melhores jogadores da região italiana em que morava, veio para o Rio em 1996 a convite de uns amigos, também jogadores de squash. “Eu vim pensando que, por ser uma cidade famosa por esportes de praia, fosse encontrar muito do Raquetone por aqui”, ele lembra. Engano seu. Na época, as areias das praias cariocas eram dominadas pelo frescobol ou pelo vôlei de praia. Começou, pouco a pouco, a contar desse esporte que estava ganhando fama na Europa, mas não foi levado muito a sério. “Era aquela brincadeira típica de carioca: ah, que coisa de gringo!”, ele conta, rindo. Por 10 anos, Gian Luca continuou indo e vindo na conexão Itália-Rio até que em 2006 veio passar as férias e acabou ficando direto. Pouco a pouco o Raquetone italiano começava a ganhar outro nome: Beach Tennis.

E foi nessa época, logo que se mudou de vez pro Rio, que Luca começou a focar em divulgar o esporte aqui pelo Brasil. “Mas antes de começar a vender, eu queria começar a criar um público que entendesse e se envolvesse com o esporte”, ele conta, “Não gostava da ideia de pensar na burocracia antes da divulgação do conceito do esporte”. E daí, ele ficava ali, em frente ao número 500 da Av Vieira Solto, observando as pessoas que passavam. Vendo alguém com a meia suja de saibro, já logo perguntava: “Oi, você joga tênis, né? Quer conhecer um esporte novo?”. Ele lembra que muitos o achavam meio louco, desconfiavam e outros se jogavam nessa nova experiência.

 

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“As redes sociais também ajudaram a agilizar o processo”, ele, que criou uma comunidade no Orkut de beach tennis, garante. Foram dois anos até que, em 2008, começaram, de fato, a rolar com mais frequência alguns jogos na praia. Nessa época, graças às redes sociais, Gian Luca acabou conhecendo Adão Chagas. Não eram vendidos os acessórios necessários, como a rede, aqui no Brasil, e eles compraram tudo lá da Europa. Mas ainda faltava conhecimento das regras e táticas do Beach Tennis, e foi aí que Gian começou a espalhar seus conhecimentos. Poucos meses depois, Chagas e outros brasileiros (Rodrigo Ribeiro, Joana Cortez e Marcela Evangelista) foram convidados a participar do mundial de beach tennis e, para a surpresa de todos, arrancaram logo um terceiro lugar, atrás dos já experientes França e Itália.

 

 

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Gian Luca. Lili e Paulinho Tomaz Lopes

 

Depois disso, não tinha mais jeito e o Ipanema 500 acabou virando um point de referência internacional de Beach Tennis não só no Brasil. Atualmente, são 5 quadras, com treinos voltados para iniciantes até profissionais, e todo o funcionamento de um clube mesmo. Uma verdadeira vanguarda do esporte no Brasil, que vira e mexe reúne os melhores jogadores do mundo. “Mais do que o esporte em si, nós divulgamos uma filosofia de praia, de respeito pelo ambiente”,  conta Luca. “E estamos colocando em prática alguns trabalhos sociais, ajudando pessoas que trabalham com a gente e oferecendo aulas gratuitas”, ele reflete, “No fim, a gente só ganha lá na frente se tivermos a capacidade de doar”.

 

Ipanema 500
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