Maurício tinha 45 anos quando resolveu que queria aprender a surfar. Hoje, com 53, ele acumula 8 viagens internacionais, ondas de todos os tamanhos e gostos surfadas por ele e é inspiração pra todo mundo que acha que “surfe é muito difícil pra mim”. Foi esse o exemplo que Pedro Robalinho, conhecido pelos mares cariocas apenas como Robalinho, deu quando perguntei se qualquer um consegue surfar. Ele, que é carioca nascido na Tijuca, trabalha há 17 fazendo isso: dando confiança e coragem pra quem quiser sentir todas as delícias que deslizar sob as ondas traz. Além de Maurício, centenas de outras pessoas já passaram por ele -hoje em dia são cerca de 120 alunos regulares mais 80 jovens que fazem parte do projeto social do CADES, Centro de Aprendizado e Desenvolvimento do Surfe.

CADES- Surfe Rio

Robalinho nasceu na Tijuca mas sempre que conseguia dava um jeito de estar mais próximo do mar. Viu seu pai pegar onda de peito (o bom e velho jacaré) e naturalmente foi criando esse contato mais certeiro com as ondas. Quando teve que escolher o que estudaria na faculdade, usou da teoria que ele passa pros seus alunos até hoje de “eliminar os erros” e, sabendo que queria algo que fosse ser útil e lhe desse prazer, excluiu aquilo que o mantinha longe disso e entrou em educação física, onde se formou escrevendo uma monografia que analisava todas as escolas de surfe do Rio da época, desde suas metodologias até cuidados extras que elas viessem a ter com os alunos. Foi daí que, junto de seu amigo Henry Ajdelsztajn, criou o CADES, na Barra, para pôr em prática tudo aquilo que vinham estudando.

CADES- Surfe Rio

Passado um tempo, ele abriu uma filiar do espaço, na Macumba, que hoje serve de estrutura pra todos os alunos. Chamou seu amigo Luiz Azevedo, que também é treinador, e foram tocando e vendo o projeto crescer. Lá, há uma grande sala usada para treinamentos funcionais e específicos e aulas de lutas variadas; banheiros; duchas; um bowl de skate; além de espaço de sobra pra abrigar as muitas pranchas da escola. Robalinho mudou para mais perto do mar atrás da qualidade de vida que sempre sonhou quando era menor e vem sentindo o sonho ser realidade a cada dia. “Para ensinar, você tem que praticar”, ele conta. E isso ele vem fazendo: já experimentou ondas do Havaí, da Austrália, da Europa, do Taiti, da Indonésia e de muitos lugares aqui do Brasil. “Venho vivendo intensamente”, ele resume.

CADES- Surfe Rio

Nesse meio tempo, muitos nomes de peso passaram pelo seu treinamento, como Silvana Lima e Pedro Henrique e foi acumulando títulos nacionais e internacionais como treinador. Focou nos surfistas que vinham do Nordeste e não tinham patrocinador ou apoio e treinou com eles, atingindo títulos importantes. “Em paralelo a isso, me veio uma necessidade muito forte de ajudar os outros, eu via a molecada aqui no Recreio querendo pegar onda mas sem ter condições de pagar alguém pra ensiná-los”, ele lembra, “E foi daí que comecei a abrir um horário pra dar aulas só pra eles”. Nascia o CADES – Rio Surfe Social, projeto que hoje traz esses jovens todos para perto do esporte. Além do surfe, os alunos têm acesso a aulas de skate e de lutas como capoeira, jiu jitsu e muay thai. O financiamento do projeto vem por meio das aulas particulares e de parcerias, como a com o surfista profissional Carlos Burle, que é padrinho do projeto e captador de recursos.

CADES- Surfe Rio

Além de tudo isso, o CADES organiza viagens internacionais que funcionam como intensivões de surfe em ondas de muita qualidade. Esse ano já rolaram surf trips pra Nicarágua, El Salvador e Peru e a agenda até o final do ano está lotada. “É uma imersão no surfe, vivências muito ricas e completas, com instrutores dentro e fora da água e tudo filmado para analisarmos melhor os próximos passos”, ele explica. E o sonho pro futuro é justamente esse: continuar levando surfe pra mais e mais pessoas, dentro e fora do país. “Existem mil maneiras de surfar, desde o surfe de peito até SUP e pranchinha”, roablinho resume, “E certamente o surfe tem muito a acrescentar na vida de todo mundo”. Organicamente, o CADES vem crescendo, se profissionalizando e reunindo gente que está sempre disposta a viver tudo de lindo que esse esporte tão antigo e completo traz.

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