A história é conhecida: cada corpo é um e o que funciona para um não necessariamente vai dar certo para o outro. O que não é tão conhecido mas está ganhando espaço a cada dia mais é o que leva os metabolismos a funcionarem de forma diferente – e mais: a possibilidade de mergulhar no mundo da genética para descobrir o real funcionamento do seu corpo e, assim, ganhar um grande auxílio na prevenção de doenças e no bem estar como um todo. O nome disso é medicina individualizada e a gente conversou com a geneticista Lia Kubelka, diretora clínica do Biogenetika, que é um laboratório de referência em genética humana, para entender melhor como funciona isso.

O Biogenetika, em parceria com o laboratório americano Pathway,  realiza laudos genéticos de alta complexidade que ajudam a entender melhor as especificidades do corpo e prevenir doenças e/ou melhorar o bem estar. Por exemplo, no laudo FIT são avaliadas as condições físicas do paciente e são indicadas as necessidades nutricionais e exercícios físicos ideais. O laudo Cardio avalia as predisposições genéticas do paciente para doenças cardiovasculares e ajuda na prevenção destas. Para entender mais, veja aqui o papo que batemos com a doutora Lia:

 

 

Carioca DNA: Quais as novidades no mercado brasileiro para o tratamento preventivo de doenças, busca de bem estar e melhor performance física ( atletas ou não)?

 

Lia Kubelka: A grande tendência atual é a Medicina Individualizada. A máxima de que um serve para todos na medicina, não funciona mais atualmente. O objetivo da Medicina individualizada é através da informação genética identificar o risco para desenvolvimento de doenças, a resposta aos nutrientes, metabolização de medicamentos, atividade física entre outros.  Com essa informação é possível determinar condutas com o objetivo de prevenir doenças e aumentar a qualidade de vida, a performance física e o bem-estar de cada um.

 

 

Biogenetika

 

 

Carioca DNA: Como é possível detectar as necessidades nutricionais e exercícios físicos ideais para cada indivíduo? Exemplo de pessoas que se beneficiaram e como?

 

Lia Kubelka: Com a finalização do Projeto Genoma Humano as ferramentas genômicas se desenvolveram amplamente nos últimos anos. Hoje é possível a utilização de marcadores genéticos bem estudados e estabelecidos para avaliar as individualidades de cada um.  Quando analisamos os genomas de dois indivíduos, a princípio são muito similares, no entanto 1 em cada 300 nucleotídeos em nosso genoma possuem variações que são denominadas polimorfismos genéticos. Os polimorfismos mais conhecidos são os de nucleotídeo único conhecidos como SNPs (pronuncia-se snips). Milhões dessas variantes já foram catalogadas e elas são responsáveis pelas diferenças individuais na metabolização de nutrientes e na resposta ao exercício físico.

Os perfis genéticos são a principal ferramenta da medicina individualizada. Através deles são analisados diversos SNPs que indicam como a pessoa vai metabolizar gorduras, proteínas e carboidratos, metabolização de vitaminas, intolerâncias alimentares, compulsões alimentares, predisposição à obesidade e sobrepeso, predisposição à alterações metabólicas e até o tipo de exercício físico mais indicado para cada um. Com essas informações os profissionais da saúde podem delinear um programa de prevenção e bem estar totalmente individualizado e muito mais efetivo.

 

 

Biogenetika

 

 

Atualmente diversas pessoas que querem emagrecer adotam um dieta extremamente pobre em carboidratos. Mas já se sabe que alguns indivíduos precisam de uma determinada quantidade desse nutriente para manter seu metabolismo equilibrado e perder peso.

Outro  exemplo clássico de que todos devem ser acompanhados de forma individualizada é em relação ao ácido fólico. Existe um SNP que altera a metabolização do ácido fólico e os indivíduos que apresentam essa variação não conseguem absorver o folato da maneira adequada. Nesse caso, o profissional deve adotar uma conduta diferenciada para que o paciente não apresente a deficiência desse micronutriente.

 

fotos: Reprodução.

 

 

  • robson

    07 02 2016

    tenho uma doença genética mtocondrial dra , a sra como geneticista poderia me oferecer algum tipo de ajuda

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