mar 2014

A esquecida

 

Sempre impliquei.  Isso lá é hora de conversar? E aos gritos? Por que me acordam

tão cedo, como um reloginho, dia após dia?

Quanta falta de educação! Não conseguem gritar mais baixo? Não, acho que não, não é de sua natureza.

Reclamei por muito tempo do alarido porque, afinal, não preciso – e não quero −levantar junto com o sol. Não me importa se esquentou no norte, se vai chover no sul ou se a água da lagoa, antes gelada, agora sofre com a poluição e parece que saiu do aquecedor. É esse o assunto permanente.

No entanto, desde que passei a fotografar e a filmar os biguás, comecei a admirar a organização do grupo, os voos em “V”, poupando energia, a  liderança revezada. Além do balé que enfeita o céu.

Pois apresento a vocês “A esquecida”.  Aposto que é fêmea a ave que abandona a turma. Uma desertora? Ou será que esqueceu alguma coisa? De fechar a janela?  De apagar o fogo? Dê o seu palpite e entenda, depois do inevitável sorriso, por que fiz as pazes com os biguás… que continuam me acordando, mas agora não me queixo mais.

 

Por Marilena Moraes [email protected])

Marilena Moraes  – Há muitos anos faz parte do Grupo Estilingues, sete amigos que se reúnem para escrever. Hoje suas atividades estão na área de tradução, interpretação e revisão, tendo, como hobby, a fotografia e desenhos em meio digital.

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