A partir de hoje, 8 de janeiro, o Oi Futuro em Ipanema receberá a segunda edição do Festival Rc4, evento internacional que apresenta o que há de mais significativo na interação entre a música clássica e as novas tendências tecnológicas e performáticas pelo mundo. O Festival traz novidades em relação à primeira edição: a abertura será com o projeto suíço Computer Orchestra, uma instalação de computadores comandada por um dispositivo que detecta movimentos cinéticos. A programação também inclui cinco shows, o Painel Rc4 (conferências e debates sobre selo musical, conceito de produção, consumo de música clássica contemporânea e novos modelos de negócios) e a Festa TecnoClássica, que reunirá artistas em uma grande “jam session futurista”.

PianOrquestra-03

Grupo brasileiro PianOrquestra

 

Com curadoria do músico e produtor musical Claudio Dauelsberg, o objetivo do Rc4 é apresentar novos rumos na música clássica, experiências e interações entre alta performance, eletrônica, softwares e recursos visuais. A programação inclui alguns dos nomes mais celebrados deste novo segmento: além dos suíços da Computer Orchestra, também participarão do festival o percussionista inglês Joby Burgess, o pianista clássico alemão Kai Schumacher, a compositora e performer americana Missy Mazzoli, acompanhada pela violinista austríaca Olivia De Prato, o grupo brasileiro PianOrquestra em um encontro com processamentos eletrônicos elaboradas pelo músico chileno Bryan Holmes, e o percussionista brasileiro radicado nos EUA Sérgio Krakowski com a experimentação de Paulo Dantas.

Missy Mazzoli

A compositora e performer americana Missy Mazzoli

“Em janeiro de 2015 trouxemos pela primeira vez ao Rio nomes como Tristano, Brand Brauer Frick e Gabriel Prokofiev, todos os shows com lotação esgotada”, diz Dauelsberg, avaliando ainda que o Festival tem a missão de apresentar essas buscas por novas experiências no segmento da música clássica para público brasileiro. “Concretizamos com a parceria do Oi Futuro a ideia de ocupar novos espaços alternativos à sala de concertos tradicional e a formação de novas plateias, com apresentação de um panorama do que acontece pelo mundo contemporâneo na área clássica com tecnologia e interação com outros meios, como as artes visuais”, conclui.

O público pode esperar estas novidades que envolvem o mundo da música clássica em diversos setores, desde as misturas com as novas tendências, passando por modelos de negócio inovadores, até a forma de se pensar como levar essa produção musical ao público. Uma grande oportunidade de participar desta “experiência” será a Festa TecnoClássica, onde haverá uma jam session do século XXI. “Vai ser uma festa com participação e intercâmbio entre artistas de diversos gêneros clássicos, DJ, projeções, performances integradas em tempo real e improvisos em uma festa com a mais alta energia”, afirma o curador. A festa será no dia 23/01, a partir das 21h, com entrada gratuita, mas sujeita à lotação do espaço.

Kai-Schumacher

Pianista clássico alemão Kai Schumacher

Além da festa, o festival também trará, no dia 23/01, o Painel Rc4, um encontro para se discutir e apresentar novas ideias no que se refere a produção e consumo de música clássica nos dias atuais. Robert Zimmermann, CEO da Filarmônica de Berlim, vem especialmente para falar sobre o futuro da música clássica e contemporânea. Uma de suas iniciativas é o Digital Concert Hall da Filarmônica de Berlim, que transmite os concertos da Filarmônica via streaming, além de outras frentes de negócios que permitem que a Filarmônica não dependa de verba pública e privada – um reposicionamento de empresas tradicionais em novos modelos de negócios.

 

O Rc4 de 2016 também mescla música e tecnologia a serviço da interatividade. Abrindo o evento, a galeria do 3º andar do Oi Futuro em Ipanema será o palco do projeto Computer Orchestra, uma instalação idealizada pelos designers Laura Perrenoud, Jonas Lacôte e Simon de Diesbach da ECAL, University of Art and Design, Lausanne (Suíça), com intercâmbio e participação dos alunos da UNIRIO. Nessa instalação, o público poderá interagir com uma orquestra de computadores, ativados cineticamente através dos gestos de um maestro (o próprio público), que são recebidos através de um Kinect. A instalação é composta por 12 laptops, dispostos em mesas individuais que fazem o papel do maestro e de diferentes instrumentos musicais. A Computer Orchestra ficará em exposição de 08 à 31 de janeiro de 2016 com entrada gratuita.

· Programação Festival Rc4 – 2016

08 a 31/01, 13h às 21h – Instalação Computer Orchestra
Local: Galeria Oi Futuro – 3º andar

15/01, sexta, 21h – Kai Schumacher
O virtuoso pianista clássico Kai Schumacher mistura clássicos contemporâneos, techno, rock, sound bits e um toque de jazz com piano acústico, piano de brinquedo e eletrônica. Explora elementos do dadaísmo e da pista de dança, avant-garde e cultura pop. O repertório de Kai Schumacher tem especial ênfase na música contemporânea americana para o piano. Em cooperação com a Duisburg Philharmonic, desenvolve novas formas para a apresentação de concertos, misturando seu repertório de piano clássico e contemporâneo, com eletrônica e rock, e com instalações de luz e vídeo formando uma performance musical e visual que atrai o público mais jovem assim como críticos mais velhos. O seu CD “Transcriptions” homenageia os “heróis de sua infância”, como System of a Down, Portishead, Megadeth, Nirvana, entre outros. Schumacher processa remixes analógicos, onde o piano se transforma ora em instrumento de percussão preparado, ora em objeto de efeitos mecânicos.

16/01, sábado, 21h – PianOrquestra – part. Bryan Holmes
Aclamado pela crítica especializada como um dos grupos mais inovadores do atual cenário da música instrumental experimental brasileira, o PianOrquestra é um trabalho único no mundo, que consiste em 10 mãos e 1 piano preparado formando sua própria orquestra de sons. Com o uso de baquetas, palhetas de violão e fios de náilon, o grupo explora uma linguagem brasileira contemporânea criando infinitas possibilidades de timbres e sonoridades em uma sincronia única. Neste espetáculo o grupo integra recursos de processamento eletrônico aliado a elementos visuais e performáticos. O PianOrquestra tem direção musical do pianista e diretor musical Claudio Dauelsberg, que se apresenta ao lado das pianistas Marina Spoladore, Priscilla Azevedo e Anne Amberget, e da percussionista Mako Tanaka. O grupo explora elementos da música clássica, contemporânea, popular e elementos étnicos.

22/01, sexta, 21h – Joby Burgess
Percussionista britânico, Joby é conhecido na Europa e nos Estados Unidos por suas performances virtuosas e ágeis e um extenso trabalho na área da educação. Trabalha com Ensemble Bash, New Noise, Uncharted e principalmente com o coletivo audiovisual Powerplant – no qual os mundos do minimalismo e música eletrônica colidem. Participou de turnês com Peter Gabriel e da estreia do Concerto de Gabriel Prokofiev para DJ, orquestra e percussão, comissionado por Graham Fitkin e Will Gregory.

23/01, sábado, a a partir das 18h – Painel Rc4 (Palestrantes: Jennifer Dautermann, Merlijn Twaalfhoven, Stéphane Dorin e Robert Zimmermann. (Entrada gratuita, inscrições através do [email protected])

21h às 23h – Festa TecnoClássica (Entrada Gratuita e sujeita a lotação de 150 pessoas)
DJ + Projeções + Joby Burgess (UK) + Brendan Walsh (NED) + Sérgio Krakowski (BRA)

29/01, sexta, 21h – Sérgio Krakowski part. Paulo Dantas
Sérgio Krakowski atuou em vários contextos musicais no choro. Foi reverenciado pelo “The New York Times” como “uma das revelações do ritmo brasileiro”. Dividiu o palco com artistas como Maria Bethânia, Gonzalo Rubalcaba, Tigran Hamasyan, Lenine, Chico César, Maria João, Mário Laginha, Nelson Veras, Yamandú Costa e Hamilton de Holanda. Em maio de 2014, Sergio Krakowski criou um concerto solo com pandeiro e eletrônica, que foi apresentado no Guggenheim de Bilbao e na galeria de arte 59 em Paris. 30/01, sábado, 21h – Missy Mazzoli part. Olivia DePrato.

 

 

 

  • Raquel

    13 12 2016

    Legal.

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