nov 2013

Angel Vianna

Conheci um pouco da filosofia e ensinamentos da mestra Angel Vianna, quando estudei Teatro e me apaixonei pelas aulas de consciência corporal. Quem gosta de dança e se interessa pelo assunto, conhecer a Escola Angel Vianna, em Botafogo, é uma boa pedida. Amei este texto da Carolyna Aguiar, que ela escrevou para Revista O Globo deste domingo. Carolyna é atriz e responsável pela curadoria do 8 Tempos Espaço do Movimento, em Ipanema. Vale a pena refletir:

 Ponto de Equilíbrio
“Durante anos, me cobrei escolher uma só profissão. Agora, aos 43 do primeiro tempo, percebo que tudo o que trilhei responde à mesma pergunta: sou capaz de viver neste corpo um estado de unidade constante, incluindo suas diferentes ações, pensamentos e sensações do dia a dia?
Com o tempo e a prática, percebi que o grande modificador dos estados corporais é a maneira com a qual pensamos o corpo, e dividi esse corpo de maneira genérica, em dois: máquina e casa. Na máquina, todo mundo hoje em dia presta atenção. Seja porque as demandas são gigantescas e recorrer a remédios, dietas e exercícios se tornou necessário à sobrevivência ou porque, com a expectativa de vida aumentada, o medo de passar os últimos dias com demência e dor também cresce. Pensando assim, o corpo funciona como um cavalo, um “animal” separado e a serviço de seu dono. Nada contra. Adoro as abordagens científicas e costumo acompanhá-las com interesse. Mas o seu corpo vai reclamar desse tratamento. Já que não é só isso. Ele é, antes de tudo, casa, o melhor amigo, o companheiro, o grande assimilador de todas as informações, conscientes ou não, do seu dia a dia. Esse corpo pode ser experimentado como “si mesmo”, o que traz a sensação imediata de integridade, totalidade, unidade. Nessa hora, a mente tranqüiliza e a pessoa experimenta contentamento. É possível estar vivo com corpo, mente e espírito unidos.
Em busca desse estado de integridade, tive a sorte de encontrar grandes mestres, que me indicaram caminhos e trouxeram outras dimensões à minha existência. Em especial, Angel Vianna. Com o passar dos anos e uma privilegiada convivência com esta dama, fui percebendo a riqueza do seu conhecimento. Ela nunca fechou seu método, nunca ensinou como começar ou terminar uma aula, sempre se mostrou interessado em qualquer nova maneira de abordar o movimento e o ser humano criativo. Um caminho difícil para um aluno que quer fórmulas prontas. E ela, para confundir mais um pouco, diz que só ensina generosidade. Só posso dizer o que ela me ensinou e continua a ensinar aos 85 anos de idade: como unir o conhecimento da máquina, ensinando anatomia, cinesiologia, fisiologia e várias técnicas do movimento, com a apreciação sensória, tornando-a um espaço complexo em constante transformação. Nas suas aulas, há sempre uma redescoberta de si, e uma percepção clara de como somos todos diferente e, por isso, especiais.
Diante de todas as dificuldades que um educador vive no Brasil, Angel está comemorando 60 anos de ensino público e privado! Ainda por cima, criou, manteve, e até hoje continua expandindo uma escola ligada à cultura no Rio. Das suas mãos saíram centenas de atores, bailarinos, coreógrafos, terapeutas e professores. Pessoas como ela são os verdadeiros heróis da nação. Axé! Amém! Aleluia! Parabéns, Angel Vianna! Que sua história sirva de inspiração e sua escola viva mais 60 anos! No mínimo.”

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