Maior artista cinético vivo do mundo, o venezuelano Carlos Cruz-Diez, 91 anos, ganha exposição que reúne cerca de 15 obras inéditas – expostas pela primeira vez no Brasil – na Galeria de Arte Ipanema, a mais antiga do país, em atividade na Zona Sul carioca há quase 50 anos. A mostra intitulada Cruz-Diez: Um Olhar Sobre a Cor teve abertura semana passada (5ª feira), data em que a Galeria de Arte Ipanema também apresentou ao público seu novo endereço na cidade. Enquanto a antiga casa passa por uma revitalização arquitetônica, os visitantes poderão conferir a exposição Cruz-Diez: Um Olhar Sobre a Cor e outras obras do acervo da galeria em uma casa de dois andares, localizada em uma vila portuguesa da década de 30, em Ipanema, a apenas três quadras do antigo endereço.
Physchromie 1871, 80 x 240 cm, Paris 2013
Cruz-Diez iniciou sua pesquisa sobre a cor nas décadas de 50 e 60, junto ao movimento cinético. Ao perceber a natureza instável da cor, de acordo com o deslocamento do espectador e a organização cromática na obra, o artista criou, a partir de 1959, trabalhos de sua série mais importante, as Fisicromias. Desde então, Cruz-Diez tornou-se um criador referencial, considerado o papa da arte cinética, que tem como principal característica de seu trabalho a exigência da participação do observador.
Cruz_Diez
O público que for à exposição Cruz-Diez: Um Olhar Sobre a Cor verá obras inéditas no Brasil do artista, como algumas belas criações das séries Physichromie – cujas estruturas revelam diferentes circunstâncias e condições da cor, que se modificam de acordo com o movimento do espectador e da intensidade da luz – e Transchromie, onde, por meio de lâminas translúcidas e dispostas em uma certa ordem espacial, são produzidas várias combinações de cores, que mudam de acordo com o movimento do espectador, da iluminação e da luz natural.
A Galeria de Arte Ipanema também exporá obras da série Induction Chromatique, em que o artista provoca uma indução cromática. A técnica explora o conceito de persistência retiniana, no qual as cores que observamos se armazenam por um rápido instante em nossa vista. Dessa forma, unindo o que foi armazenado e o que é visto em seguida, Cruz-Diez consegue induzir o observador a perceber uma cor momentânea. Há ainda obras das séries Couleur Additive – baseada na irradiação da cor, ou seja, quando dois planos de cor se tocam, uma linha virtual mais escura aparece na área de contato – e Couleur dans l’espace, trabalho que pretende tornar mais evidente a experiência vital da cor formando-se e desintegrando-se no espaço.
Physchromie 1849, 100 x 200 cm, Paris 2013
A arte cinética ganhou este nome em 1955, com a exposição “Le mouvement”, na galeria parisiense Denise René. O movimento enfrentou enorme preconceito quando surgiu, por não se enquadrar em nenhuma das técnicas até então conhecidas: pintura, escultura, desenho ou gravura. Agora, depois de quase 60 anos, é internacionalmente reconhecida como uma das mais criativas correntes artísticas do século XX, presente nas coleções dos mais relevantes museus do mundo.
Premiado na França, Venezuela e Argentina, Carlos Cruz-Diez tem obras expostas em mais de 80 museus pelo mundo e seu trabalho integra coleções permanentes de instituições como Museum of Modern Art (Nova York); Centre Georges Pompidou (Paris); Museum of Fine Arts (Houston); Tate Modern (Londres); Wallraf-Richartz Museum (Colônia) e Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris.
Carlos Cruz-Diez - Induction Chromatique Fedix 3 - 50 x 100 cm - 8 Exemplares
 
Serviço da Exposição “Cruz-Diez: Um Olhar Sobre a Cor”
Local: Galeria de Arte Ipanema (Rua Aníbal de Mendonça, 173 – Ipanema – RJ)
Telefone: (21)2512-8832
Data: 25 de setembro, às 19h (vernissage)
Para o público: 26 de setembro a 25 de outubro de 2014
Horário: 2ª a 6ª feira: 10 às 19h. Sábado de 10h às 14h.

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