Em A Casa dos Budas Ditosos, uma comédia afrodisíaca adaptada por Domingos de Oliveira do romance homônimo de João Ubaldo Ribeiro, a atriz Fernanda Torres interpreta uma libertina baiana sexagenária que detalha as incontáveis experiências sexuais que teve ao longo da vida. Depois de elogiadas temporadas pelas principais capitais brasileiras e uma temporada em Portugal. Retorna para o Rio em curtíssima temporada, no teatro Oi Casa Grande.

 

Quando Domingos de Oliveira leu pela primeira vez a obra de João Ubaldo percebeu imediatamente o valor dramático do texto. Nem todo livro rende uma boa adaptação teatral; A Casa dos Budas Ditosos, porém, é um livro escrito na primeira pessoa, é o depoimento de uma mulher que deseja dizer ao mundo que ousou cumprir sua vocação libertina e foi feliz, não há danação na luxúria. Nasceu teatro porque é oral e é oral porque, segundo o próprio João Ubaldo, nas primeiras páginas do livro: “é impossível falar sobre sexo na terceira pessoa”.

 

Para viver a personagem, Domingos pensou que “precisava de alguém que soubesse transitar por todas as idades, pelas diversas fases da personagem”.

 

Esse artifício, simples e não realista, de ter uma atriz de meia-idade, vivendo uma mulher de idade que se lembra de todas as suas idades, acabou por acentuar o discurso libertário da baiana de João Ubaldo. Quem prega, confessa, ri é a mulher no seu ideal é uma imagem projetada e viva. Essa ilusão contribui para que a viagem sexo-sensorial, proposta por João Ubaldo, aconteça plenamente no teatro. É impossível ficar indiferente à seleção de homens e mulheres que a baiana evoca, como também é impossível, ao evocá-los, deixar de passar em revista o seu próprio memorial afetivo. Esse efeito colateral, talvez, seja a grande experiência sensorial do espetáculo.

 

“A narrativa de João Ubaldo Ribeiro contém nítida importância filosófica, disfarçada em folhetins de peripécias sexuais. O personagem sem nome que Ubaldo criou é sem dúvida uma deusa. Ela possui uma liberdade divina almejada na imaginação por todos nós e, na prática, inalcançável por qualquer um de nós”, diz Domingos.

 

Fernanda Torres encontrou nesse convite o projeto ideal para experimentar a possibilidade de se fazer teatro apenas com um ator, um texto e um microfone. Era uma vontade antiga que a atriz alimentava desde que assistiu pela primeira vez a Spalding Gray. A contundência do discurso sexual da baiana e a qualidade do texto de João Ubaldo deram segurança aos dois, Domingos e Fernanda, de optar pela limpeza absoluta, de confiar na máxima de que quanto menos, mais. Arriscaram deixar a personagem sentada, acompanhada apenas de alguns objetos, entre os quais, o maravilhoso livro Nossa Vida Sexual, de Fritz Khan, da Biblioteca do Avô da personagem, (que tivemos a alegria de encontrar num sebo de São Paulo) e os dois Budas Ditosos, estatuazinha em miniatura de dois budinhas praticando o sexo, “essas coisas milenares, de Chinês”.

 

Daniela Thomas soube criar, nessa simplicidade, a luxúria que deu origem ao texto. Num fundo preto, numa mesa de vidro, fez com que a verdadeira arquitetura em cena estivesse presente apenas na caracterização da personagem. Os balagandães da baiana, os ouros, o batom, o cabelo, os peitos, a estampa, a volúpia e o excesso são trazidos por ela para cena, e com ela vão embora, barrocos como o discurso. Em volta a racionalidade da elegância da luz de Wagner Pinto, da delicadeza da trilha, da cadeira, do microfone e da mesa.

A Casa dos Budas Ditosos - FOTO Divulgação

FICHA TÉCNICA:

A CASA DOS BUDAS DITOSOS

Com: Fernanda Torres

Direção e adaptação: Domingos de Oliveira

Direção de Arte: Daniela Thomas

Direção de Produção: Carmen Mello

 

 

SERVIÇO:

A Casa dos Budas Ditosos

De 03 a 27 de setembro de 2015.

Local: Oi Casa Grande

Endereço: Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon

Gênero: Comédia

Classificação etária: 18 anos

Duração: 90 minutos

Redes sociais:

www.facebook.com/ACasadosBudasDitososAPeca

www.instagram.com/acasadosbudasditosos

Ingressos à venda no site: http://www.ingresso.com/rio-de-janeiro/home/espetaculo/teatro/a-casa-dos-budas-ditosos/oi-casa-grande

 

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