Projeto Reação e a certeza que o esporte muda vidas.

12 de março de 2015

Desde 2013 a rotina de Marlon é quase a mesma: ele acorda, na Penha, vai para escola, volta para casa, almoça, e pega um ônibus para São Conrado. Lá, ele fica a tarde toda. Treinando, aprendendo, conhecendo gente nova e criando sonhos reais. “Eu treino judô desde pequeno, mas no momento eu quero é ser jornalista esportivo, mas quem sabe eu não consigo fazer as duas coisas”, ele sonha alto. Marlon tinha sido convidado por Flávio Canto (não viu a entrevista que fizemos com ele? Clique aqui.) para passar a tarde junto dele lá na Globosat, onde Flávio gravaria o Sensei, seu programa de judô no canal. “Eu trouxe ele aqui pra ele conhecer o pessoal e ver como é que é essa história de ser jornalista”, o atleta explica. E daí Marlon almoçou com a gente e fez questão de dizer que “Judô é muita disciplina e isso ajuda muito a gente a focar em caminhos não errados”.

Projeto Reação: esporte que muda vidas

Pois é. Flávio sentiu isso na pele desde que começou a dar aulas como voluntário em um projeto social que tinha apoio da prefeitura em seis comunidades do Rio, em 2000. Até antes disso ele já tinha essa rotina de volutariar em orfanato, participar de campanhas de arrecadação, “Algumas ações pontuais”, como ele conta. Lá por 2002, a prefeitura saiu do projeto e, com isso, os professores que eram remunerados também debandaram. “Eu continuei dando aulas, mas nessa época já estava treinando pesado e não conseguia ir sempre”, ele lembra. Da dificuldade, a solução: “Reuni um grupo de amigos e familiares e a gente formalizou a ideia de criar uma ONG, cada um se comprometeu a pagar um valor mensal e a coisa começou a andar”. Reação foi o nome que surgiu quase que naturalmente, muito baseado nos valores que Flávio sempre carregou de “Tomar um tombo e levantar de forma surpreendente”.

Projeto Reação: esporte que muda vidas

Na época, ele ouviu de Geraldo Bernardes, seu treinador desde moleque “Caramba, sério!? Você tem que treinar para as Olimpíadas”. Flávio replicava, direto ao ponto: “Cara, eu ganho muito mais energia do que gasto com isso”. Tanto foi que Geraldo é, hoje, um dos coordenadores do projeto, que ultrapassou barreiras e hoje conta com 5 pólos, além da Rocinha (entre eles na Cidade de Deus, na Pequena Cruzada e em Tupiacanga), 40 funcionários e mais de 1000 crianças e jovens que participam.

Projeto Reação: esporte que muda vidas

O projeto conta com três programas diferentes: o Reação Escola de Judô e Artes Marciais, que inclui aquela formação técnica e corporal; o Reação Educação, em que rolam oficinas pedagógicas focadas na formação de valores e o Reação Olímpico, que é focado naqueles que tem algum tipo de talento e, nas palavras de Flávio, “nasceu para mostrar para eles que dava para o sonho ser real”. Tão real que a judoca Rafaela Silva, que era e é aluna do projeto, se tornou a primeira brasileira a ganhar um mundial, no ano passado. “Ela era agressiva e o Geraldo identificou o talento e canalizou a agressividade pra algo positivo”, Flávio conta, “O esporte pode, sim, mudar vidas”.

Flávio Canto com Rafaela Silva, campeã mundial 2013

Flávio com Rafaela Silva, campeã mundial 2013.

E muda. É difícil mensurar a quantidade exata de crianças e jovens que trocaram de caminho por conta do Reação, mas o dia a dia e o envolvimento deles deixa claro que o caminho que está sendo traçado é mesmo o certo. Nem todas as histórias tem final feliz: “Um de nossos alunos foi assassinado e no seu enterro a galera colocou uma camiseta do Reação junto dele”, Flávio conta, “Vai além do esporte em si, tem a coisa da autoestima, do pertencimento, foi uma comoção muito grande que mostrou que temos na mão uma poderosa ferramenta de transformação”. E como transformação começa internamente, eles estão implementando um quarto programa, acessório e complementar, que é o de meditação. “Eu medito há muitos anos e sei a força que isso traz e a ideia é que todos passem a meditar”, ele conta, se referindo à parceria com a ONG Meditação Transcedental.

Flávio meditando com os alunos

E a coisa mexe tanto com a vida de quem participa que o próprio Flávio conta que depois de ter ganhado o bronze nas Olimpíadas de Atenas, passou a ligar menos para o judô: “Meus sonhos foram para o Reação, eu percebi que a causa era mais nobre e comecei a focar bons resultados em notoriedade para o projeto”. “É como ser pai: você nunca mais é um só. No caso, eu tô sempre carregando muita gente comigo”, brinca. E para ele, que não vê muita diferença entre sonhos e realidade, a ideia é continuar mudando o mundo. “Muda um, muda dois, muda três, quanto mais mundo melhor”, reflete, “Mas sempre visando um crescimento sustentável, consistente e real”. Ao ouvir a frase, o sorriso de Marlon reflete o de outras mais de 1000 crianças e jovens e mostra que, sim, o caminho é esse mesmo.

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