Cais do Valongo passará por obras para conservação e consolidação do sítio arqueológico a partir de dezembro

23 de novembro de 2018

A Missão Diplomática dos Estados Unidos no Brasil firmou parceria com orgãos públicos do Rio para o desenvolvimento de ações de conservação e consolidação do sítio arqueológico do Cais do Valongo, na região portuária do Rio. Nesta quarta-feira, 21 de novembro, em meio à celebração da Semana da Consciência Negra, Scott Hamilton, cônsul-geral dos EUA no Rio de Janeiro, representando a Missão Diplomática dos Estados Unidos no Brasil, Ricardo Piquet, diretor-presidente do IDG; Nilcemar Nogueira, secretária municipal de Cultura, e Mônica da Costa, superintendente do IPHAN no Rio de Janeiro, se reuniram para o lançamento da pedra fundamental das obras no Cais do Valongo.

O aporte de US$ 500 mil para o projeto inicial será concedido pela Missão Diplomática, com recursos do Fundo dos Embaixadores dos Estados Unidos para Preservação Cultural. A iniciativa reafirma o trabalho conjunto que os Estados Unidos e o Brasil vêm realizando há mais de duas décadas para promover a inclusão racial e destacar a herança africana compartilhada entre ambos os países.

Neste primeiro momento, serão realizadas a restauração do pavimento original de pedras, drenagem das águas da chuva e ainda reforço estrutural das paredes, fundações e superestrutura. O trabalho, resultante de projeto da Prefeitura, orientado pelo IPHAN e contratado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), inicia em dezembro e terá duração de dois anos. O objetivo é que as ruínas funcionem como um museu a céu aberto, um recorte do passado que deverá ser preservado, respeitando os valores artísticos e históricos envolvidos.

O IDG – que tem ampla experiência na gestão de bens culturais e ambientais, tais como Museu do Amanhã, Bibliotecas Parque, Paço do Frevo e Fundo da Mata Atlântica – fará a gestão do recurso. “Nós do IDG estamos muito felizes com esta parceria, que nos permitirá contar a história do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, ressignificando um momento doloroso de nosso passado recente, a escravidão, num ambiente de reflexão e de valorização da cultura de matrizes africanas – marcada, sobretudo, pela luta e pela resistência – assim como em um local de promoção e defesa de Direitos Humanos”, lembra Piquet.

O Cais do Valongo foi considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, em 2017, por ser o único vestígio material do desembarque de cerca de 1 milhão de africanos escravizados nas Américas. Esta é a primeira grande intervenção no local desde a obtenção do título e tem, entre outros objetivos, a missão de difundir o valor histórico do local. O sítio arqueológico foi redescoberto em 2011 durante obras de revitalização da Prefeitura na zona portuária do Rio de Janeiro, na operação urbana Porto Maravilha. Rapidamente, recuperou seu significado na memória da escravidão no mundo e hoje é parte importante da área da cidade conhecida como Pequena África.

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