set 2014

SUPER

De todos os enfeites do céu, a lua é que me atrai, me desconcerta.

Dizem que é assim mesmo. Nós, mulheres, estamos à mercê de seus humores.

Talvez porque tenhamos inveja da moça que anda nua, sem pudor, mas ela pode ─ é lua.

Tem dias que ela se esconde, apenas se insinua, mas… –  é lua.

Brinca entre nuvens, representa, atua, mas ela…

No céu que descortino, ela chega, sempre na hora marcada, e há um mês em que, no seu ciclo de sereia,  entra pela janela da sala, lambe meu tapete, deixa sua marca, como quem tatua.

Em agosto, ansiosa, esperei  a superlua. Não me decepcionei. Mas já conto as horas para o show de setembro,  de lua igualmente super, igualmente crua.

Vaidosa, lânguida, deixa-se fotografar, filmar.  Gosto muito quando aparece de dia, atrasada para ir para o Japão.

Acho até que ela já me percebe, acenando desse andar superalto em que moro.

Afinal, essa superlua de agosto piscou ou não piscou pra mim?

Por Marilena Moraes [email protected])

Marilena Moraes  – Há muitos anos faz parte do Grupo Estilingues, sete amigos que se reúnem para escrever. Hoje suas atividades estão na área de tradução, interpretação e revisão, tendo, como hobby, a fotografia e desenhos em meio digital.

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