Quem nunca parou para imaginar como não era o Rio de Janeiro antes dos prédios invadirem a orla? Os morros e pedras que cercam a cidade repletos de natureza densa? As poucas casas e formas de transporte que foram chegando aos poucos? Dá para o pensamento ir longe. E nesse ano em que a Cidade Maravilhosa completa 450 anos, o Instituto Moreira Sales preparou uma exposição para sanar todos esses pensamentos curiosos: é a Rio: primeiras poses -Visões da cidade a partir da chegada da fotografia.

Vista do Leme em 1890. Foto: Marc Ferrez

Vista do Leme em 1890. Foto: Marc Ferrez

A expo reúne 450 imagens de fotógrafos como Abraham-Louis Buvelot, Georges Leuzinger, Augusto Stahl, Revert Henri Klumb, Marc Ferrez, Augusto Malta e Guilherme Santos de um período que começa em 1840 e vai até 1930. Organizada em seis ambientes dispostos em ordem cronológica, a exposição apresenta cerca de 250 fotografias originais e mais três conjuntos de imagens em estrutura multimídia (e isso significa a possibilidade de usar uma ferramenta de visualização para enxergar detalhes que passam despercebidos nas originais). Destaque: muitas dessas imagens são exclusivas e quase nunca foram vistas!

Imagem: Panorama do Rio de Janeiro tomado do Morro Nova Cintra, c. 1895. Rio de Janeiro, RJ – Brasil. Foto de Marc Ferrez / Coleção Gilberto Ferrez / Acervo IMS.

 

A mostra começa lá em 1830, quando a fotografia ainda era daguerreotipia. Depois, de 1850 até 1890 são reveladas memórias de uma paisagem urbana com traços de uma arquitetura estruturada no período colonial, caracterizada pela chegada da família real portuguesa, em 1808. Há registros da construção da Avenida Central e da avenida Beira-Mar que ligou Glória, ao Catete, ao Flamengo e à Botafogo. Há registros de Marc Ferrez, o único dentre os fotógrafos reunidos que atravessou os dois séculos e é um dos que mais deixou legados fotográficos dessa passagem do século XIX para o XX.

O que hoje é o Forte de Copacabana, em 1895. Foto:  Marc Ferrez

O que hoje é o Forte de Copacabana, em 1895. Foto:  Marc Ferrez

Depois dessa fase, começam a pipocar e aparecer nas fotos os avanços tecnológicos que foram aparecendo: transporte urbano, iluminação pública, automóvel, aviação, etc. Claro, a sociedade também é retratada e, inclusive, a mudança que a fotografia trouxe na vida das pessoas é tema de reflexão. Guilherme Santos, por exemplo, retratou gente como Dom Pedo II, Chiquinha Gonazaga e Machado de Assis. Até a década de 30 é possível notar as mudanças que a modernidade começou a trazer para a cidade, com a industrialização e a urbanização, tal como o crescimento da cidade em direção à Zona Sul e às praias e depois à Barra e Zona Oeste. E ah, sim! A mostra conta com imagens de Copacabana e Ipanema entre 1900 e 1930! Além de lindo e curioso, esse passeio é uma verdadeira aula de história!

Instituto Moreira Sales
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500
De terça a domingo, das 11h às 20h
28 de fevereiro a 31 de dezembro de 2015.

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