Rolé Carioca fará no dia 25 de outubro uma visita muito especial à Zona da Leopoldina, mais precisamente
ao bairro da Penha, que estará neste mês comemorando 380 anos da sua tradicional festa. Esta verdadeira aula a céu aberto sobre História e Cultura começará às 9h, com o ponto de encontro marcado para a Estação da Penha. Como sempre, o evento comandado pelos professores de História da Estácio Rodrigo Rainha e William Martins será gratuito e dispensará inscrição.

Igreja da Penha, 1960

Igreja da Penha, 1960.
BN Digital

No passeio será mostrado por que a Zona da Leopoldina de forma geral – e a Penha mais especificamente – tem tanto a cara do
Rio de Janeiro. Logo no início, os professores farão uma explicação sobre a Penha Industrial, falando sobre o Curtume Carioca; a construção da Avenida Brasil e o Mercado São Sebastião. Depois, o roteiro prevê o seguinte trajeto: Rua Montevidéu, Rua Quito, Praça Panamericana, Rua Belisário Pena, Rua Nicarágua, passagem subterrânea da linha do trem, Rua José Maurício, Travessa Padre Ricardo, Leopoldina Shopping, Paróquia Bom Jesus, Av. Brás de Pina, Ciep Gregório Bezerra, Parque Shangai e Santuário de Nossa Senhora da Penha.

Igreja da Penha. Foto: Pedro Kirilos ( Riotur)

Igreja da Penha.
Foto: Pedro Kirilos ( Riotur)

Leia aqui a crônica “A Festa da Penha na Penha das Festas”, de autoria do professor de artes cênicas Veríssimo Júnior publicada no site oficial do Rolé Carioca:

A região do Rio em que fica a Penha ganhou o nome da Imperatriz Leopoldina por conta do eixo de sua estrada de ferro. A estrada foi construída a pedido seu, e tinha em um primeiro momento o objetivo de transportá-la junto ao seu séquito real. Seu caminho ligava o palácio de São Cristóvão a Petrópolis, local querido por Pedro II e D. Leopoldina.

Se a Penha hoje é o complexo de favelas, com suas casa e moradores esquecidos, há por outro lado uma classe média resistente e apaixonada pelo entorno do bairro. O morro do Alemão tem muitas histórias de sua formação, mas a mais conhecida é a de uma família de poloneses que sendo proprietário das terras do morro iniciaram uma série de aluguéis e vendas fragmentadas. Com o tradicional olhar carioca generalista para o estrangeiro, o polonês era conhecido como alemão e deu por propriedade o nome ao morro.

 Passeio cultural com turistas no Complexo do Alemão.

Passeio cultural com turistas no Complexo do Alemão.

O morro foi intensamente ocupado ao mesmo tempo em que a Penha se tornou o principal pólo industrial do Rio de Janeiro. Com a abertura da Avenida Brasil, e suas melhorias, o espaço da Penha passou a ser um pólo de trabalho nas confecções, várias delas hoje são esqueletos nas ruas do entorno do que virou o complexo. Das antigas fábricas, ainda que tardia, a De Millus continua lá representando as antigas confecções. O morro cresceu com este diálogo, de um lado a Vila da Penha, em que a classe média, os assalariados e gerentes das antigas fábricas e donos de comércio iam ocupando, e do outro os trabalhadores, em especial nordestinos, começavam a chegar.

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